Do cuidado naturalizado ao trabalho não pago: mulheres, família e organização social dos cuidados
Palavras-chave:
trabalho não pago, cuidado, gênero, família, políticas sociaisResumo
O presente artigo analisa o trabalho de cuidado não pago realizado majoritariamente por mulheres no interior das famílias, evidenciando sua naturalização histórica e seu papel na organização social dos cuidados no capitalismo contemporâneo. Parte-se da compreensão de que o cuidado, embora socialmente indispensável à reprodução da vida, é invisibilizado e desvalorizado, sendo atribuído às mulheres como extensão de papéis considerados “naturais”. Através da revisão bibliográfica de autores que discutem o tema, ancorada no materialismo histórico-dialético e na perspectiva crítico-feminista. No decorrer do texto é colocado em destaque o indivíduo feminino no movimento de frente a centralidade da família na provisão dos cuidados reforçando a desresponsabilização do Estado e aprofundando desigualdades de gênero, classe e raça.
Downloads
Referências
BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
ENGELS, Friedrich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. Tradução de Leandro Konder. 16. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Tradução coletiva. São Paulo: Elefante, 2017.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 9. ed. São Paulo: Hucitec, 2006.
MOSER, Lilian Maria; FRITZEN, Maristela; PEZZO, Carla Adriana. A centralidade da família na política de assistência social e a responsabilização das mulheres pelo cuidado. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 18, n. 1, p. 1–12, 2015.
RAZAVI, Shahra. The political and social economy of care in a development context: conceptual issues, research questions and policy options. Geneva: United Nations Research Institute for Social Development (UNRISD), 2007. (Working Paper, n. 3).
ZANELLO, Valeska. Saúde mental, gênero e dispositivos: cultura e processos de subjetivação. Curitiba: Appris, 2018