CIDADES E MEMÓRIAS OCULTAS
inscrições e silenciamentos da Ditadura no espaço urbano carioca
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6508Palavras-chave:
memória urbana, representações da cidade, espaço urbano, silenciamentoResumo
O artigo investiga como algumas memórias traumáticas da Ditadura civil-militar brasileira (1964–1985) permanecem inscritas no espaço urbano do Rio de Janeiro, mesmo na ausência de marcas materiais visíveis, por meio da vivência das narrativas de determinados praticantes da cidade. A partir do recorte territorial da Grande Glória (Catete, Flamengo, Glória e Laranjeiras) analisa-se como experiências de repressão e resistência continuam a organizar percepções, trajetórias e práticas cotidianas. Fundamentado no papel duplo da memória, que também é o de esquecer, o estudo compreende a cidade como palimpsesto simbólico e campo de disputa narrativa, onde representações oficiais convivem com memórias subterrâneas. Por meio de entrevistas realizadas de forma peripatética e análise qualitativa de relatos de interlocutores, propõe-se a construção de uma contra-cartografia afetiva que evidencia zonas de silenciamento e ressignificação urbana no recorte espacial analisado. O artigo contribui para o debate sobre representações, memória e preservação do espaço urbano e incorporar experiências marginalizadas na produção do espaço.
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