ENTRE NOMES E CAMINHOS
toponímia e apagamento das mulheres na memória urbana
DOI:
https://doi.org/10.4025/shcu.v1i1.6702Palavras-chave:
memória urbana, toponímia feminina, flâneuseResumo
Este artigo investiga a falta de representatividade das mulheres na cidade a partir de duas dimensões complementares: a material, expressa na baixa presença feminina na toponímia urbana, e a simbólica, relacionada às restrições históricas à circulação e à experiência do espaço público. Parte-se da compreensão da cidade como arquivo, em que nomes de ruas operam como dispositivos de consagração da memória. Nesse sentido, a ausência feminina configura uma prática hegemônica de preservação seletiva, enquanto a literatura escrita por mulheres emerge como prática insurgente de reinscrição da experiência feminina na cidade. Em diálogo com o conceito de flâneuse, o artigo discute como o direito de permanecer na cidade e o direito de caminhar se articulam nas disputas por pertencimento. No plano material, como estudo de caso, analisa-se a toponímia das vias do município de Tucunduva/RS, evidenciando a sub-representação feminina e sua recorrente vinculação a figuras masculinas. No plano simbólico, tal dinâmica é tensionada pela literatura de duas autoras situadas em contextos espaciais distintos no século XX: Virginia Woolf, a partir de suas experiências de circulação pela cidade de Londres; e Carolina Maria de Jesus, cuja escrita sobre periferias urbanas brasileiras tensiona as formas de visibilidade e existência no espaço urbano.
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